Pirenópolis

Carnaval em Pirenópolis

Pirenópolis… nem sabia que existia essa cidade! Piri, como é carinhosamente chamada, foi indicação de um amigo nosso, o professor de francês Carlos Ferrari. E que excelente indicação!

Carnaval, precisávamos escolher algum lugar para ir e esta charmosa cidadezinha, eleita entre os 50 melhores destinos de ecoturismo do país, nos fisgou. Claro que nesta época do ano que a cidade transborda de gente, como toda cidade histórica (Ouro Preto, Tiradentes etc) e fazendo nossas pesquisas pré-viagem vimos que Piri é bem famosa e concorrida.

Bem, descobrimos o quão agitada uma cidadezinha pode se tornar em quatro dias de festa!

Carnaval em Pirenópolis

Domingo de carnaval, a cidade transbordando de gente e nós chegando. Chegamos no meio da tarde embaixo de chuva. A primeira impressão que tivemos foi de, apesar do agito, a cidade ter um charme todo especial com suas ruas de paralelepípedo e casas coloniais com suas fachadas de época, no centro histórico. Fachadas estas todas pintadas e muito bonitas por todo o lugar; ao se caminhar depara-se com uma e, além da óbvia foto para o registro, ficamos admirando e imaginando o passado dessa simpática cidade, que se mostrou incrivelmente limpa para tanta gente!

Pirenópolis

Pirenópolis

Pirenópolis

Pirenópolis

Deixamos a mala e fomos explorar  Pirenópolis. Ficamos na Pousada do Abacateiro, localizada pertinho de uma pracinha (Praça do Coreto) onde à noite acontece uma feirinha. Escolhemos, como sempre, uma localização central para podermos utilizarmos o carro o menos possível. Pirenópolis deve ser explorada a pé (tudo, na verdade, deve ser explorado a pé) para captarmos os detalhes, as rachaduras na parede, as lâmpadas das ruas, as cores das folhas, as curvas das ruas…

Pirenópolis
Praça do Coreto

Pirenópolis

Pirenópolis é linda e charmosa, me lembrou muito Tiradentes, embora na cidade mineira caminhar seja um desafio por causa das suas ruas extremamente irregulares, como Paraty (que ainda está na lista para conhecer), que também é bem pequena e histórica. O centro do agito (e da cidade) fica num vale (a Rua do Lazer, que concentra os principais bares e restaurantes), cujas pontas são formadas pela bela igreja e pela Praça do Coreto, então da igreja podemos ter uma incrível vista da cidade, que é circundada pelo cerrado que também iríamos explorar nos dias seguintes.

Carnaval em Pirenópolis
Da igreja, a bela vista da cidade
Carnaval em Pirenópolis
Noite de carnaval na Rua do Lazer
Carnaval em Pirenópolis
Bares e restaurantes transbordando de gente na noite de carnaval
Carnaval em Pirenópolis
Agitação do carnaval

Logo nas primeiras ruas vi uma lojinha com velas e potinhos (essa eu tenho que contar porque fiquei encantada!)!. Quis comprar no mesmo dia, são tão lindinhos os potinhos com velas penduradas como se fossem galhos de árvore e cujos desenhos refletem na parede! Adoro luzinhas! Foi meio chato de trazer isso no avião, mas ficou lindo no cantinho da minha sala.

Pirenópolis

Passeamos bastante e marcamos para o dia seguinte um passeio pelas cachoeiras da região através de uma agência. Gostamos nós mesmos de explorar a região como nos apetece e seria possível fazermos o passeio solo, mas estávamos lá para relaxar e não tem problema de vez em quando contratarmos uma van para o tour. No fim da viagem a decisão se mostrou bem sensata porque estávamos bem cansados e a volta durou pelo menos uma hora. Além de termos conhecido um pessoal bem bacana durante as trilhas, o que é sempre agradável.

O passeio em questão era para a Cachoeira dos Dragões: são oito cachoeiras e uma trilha no total – sem contar as paradas para o mergulho – de quatros horas de caminhada. Aí você pensa: ah, é rápido! Nada, ficamos o dia todo! Achei bacana porque o guia nos contou a história da região, explicou várias curiosidades (essa é uma das vantagens de se passear com um guia, afinal) e, o mais importante, deixou o grupo aproveitar a cachoeira numa boa, sem pressa. Acho que nestes passeios natureba as coisas são aproveitadas com mais tempo do que, digamos, passeios guiados em museus como o nosso em São Petersburgo no Palácio da Catarina, onde a coisa toda foi corrida e não pudemos absorver direito e como gostamos o ambiente todo. Por isso desconfiamos de passeios guiados!

Cachoeira dos Dragões

Fernanda e Thales na cachoeira Portão dos Dragão

Cachoeira dos Dragões

Cachoeira dos Dragões

Cachoeira dos Dragões

Cada cachoeira em que chegávamos havia em uma plaquinha uma historinha zen, porque as cachoeiras ficam na propriedade de um mosteiro. Um certo toque místico para entrar no clima. Lindas as cachoeiras e as vistas; estamos já escolados em cerrado!

Cachoeira dos Dragões

Cachoeira dos Dragões

No outro dia fomos visitar a reserva ecológica Vagafogo para experimentar o café colonial com 45 produtos da fazenda. Faz ideia do que é isso?

Ao chegarmos, seria preciso um tempo para que eles preparassem o café e por isso eles sugeriram que antes do festival de sabores (do banquete, como veríamos mais tarde) fizéssemos o passeio pela reserva, uma trilha de 1,5 km passando pela mata com árvores lindas e algumas bem grandes até chegar a uma piscina natural. Um passeio muitíssimo agradável no meio das árvores, folhas e terra. Cheiro de terra, aliás e som de riachos, que beleza! No nosso dia a dia esquecemos de ouvir o silêncio devido ao mundo ensurdecedor ao nosso redor, então é muito gratificante ter a oportunidade de um contato direto com o mato, longe de tudo! Durante a trilha, que é muito bem sinalizada e cuidada, com escadarias leves suspensas para que o solo não seja danificado, há paradeiros com mesas e bancos para se descansar. Também as árvores no caminho são identificadas, de modo que pudemos conhecer um pouco mais da fauna do lugar.

Vagafogo

Vagafogo

Vagafogo

Vagafogo
A água da piscina natural estava marrom por causa das chuvas

Vagafogo

Vagafogo

Vagafogo

Após o bucólico passeio estávamos bem com fome e lá fomos nós para a comilança. Tiramos uma foto do começo da degustação, com a mesa montada e logo após vieram tortas, pães e uma infinidade de compotas e geleias com nomes de frutas da região (e para lembrar dos nomes?), café, chá etc etc etc  – que delicioso! O nosso maître, filho do dono da fazenda, foi gentilmente nos explicando do que se tratavam os quitutes e nos sugeria o que ia bem com o quê (por exemplo, carne – serviram uma gostosa porção de lagarto – com geleia de mexerica com baru) e fomos experimentando e degustando… Hmmmmm…. Ao final batemos um papo bem interessante com o dono da fazenda na sala de estar do grande salão, onde havia vários livros sobre a cultura e história da região. Claro que pegamos dicas de livros para nos aprofundarmos no assunto (um que interessou bastante foi ‘História da Terra e do Homem no Planalto Central’, de Paulo Bertran). Além disso, havia lá vários produtos da própria fazenda sendo vendidos e aproveitamos para comprar alguns quitutes e, como diz o sr. Fontanetti, mais algumas “tralhas”!

Thales e Fernanda no café colonial da Vagafogo

Curtimos muito Pirenópolis! Andamos muito pela cidade apreciando as construções e as casas charmosas. Entrávamos em lojinhas, depois parávamos num café simpático para comer algumas coisinhas ou somente beber algo, conversar e relaxar para depois continuar a andar até cansar.

Pirenópolis

Pirenópolis

Pirenópolis

Estava quase esquecendo da igreja! Símbolo da cidade, aliás; em qualquer busca na internet sobre Pirenópolis a primeira coisa que aparece é a igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário. Foi a primeira igreja erguida no estado de Goiás (1728) e sofreu um grande incêndio em 2002, que destruiu 90% de seu interior. Como boa parte das igrejas que já visitamos, a fachada é bem mais interessante do que seu interior (neste caso, por causa da tragédia, há vários vazios nos altares laterais). Fica, é claro, em um lugar de destaque na cidade onde há uma simpática praça da qual pode-se ver a movimentação das pessoas e ter-se uma bela vista, como já comentamos. Muito gostoso ao final do dia ver o sol se pôr dali, sentir a noite cair e se preparar para mais uma vez passearmos pelas ruas da cidade, agora iluminada pelas lâmpadas, com suas lojinhas e charmosos restaurantes e barzinhos.

Pirenópolis

Vamos voltar! Principalmente porque lá há a famosa Festa do Divino Espírito Santo, que se inicia 40 dias depois do domingo de Páscoa e é a mais famosa Cavalhada do Brasil, além dos vários passeios ecológicos por fazer ainda (a cidade é dona das cachoeiras mais famosas de Goiás). Pirenópolis fica a cerca de duas horas de carro de Goiânia, que fica a uma hora e meia de avião de São Paulo. Planejando bem, dá para acordar cedinho em casa e chegar para o almoço nesta bonita cidade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *