Petar

Cavernas do Petar

Temos vários projetos de viagem e um deles é conhecer parques. Pois bem, nosso amigo Daniel Carnielli que gosta de organizar passeios naturebas como subir em pedras exóticas e entrar em cachoeiras de acesso duvidoso nos convidou para participar de um grupo de viagem para o Parque Estadual do Alto Ribeira, o Petar, no Núcleo Santana que fica na cidade de Iporanga, no sul do estado de São Paulo. Existem três outros núcleos: Caboclos, Casa de Pedra e Ouro Grosso.

Foram dois dias de cavernas, chuvas e muita lama pelo caminho. Para ir a um lugar como esse embaixo de chuva tem que estar muito no pique, hein? Na verdade eu não estava não (fim de semana chuvoso eu prefiro ficar em outra caverna, a da minha casa), mas estávamos em um grupo e estava tudo acertado, então, bora lá. Esse era um passeio que tinha tudo para não ser bom, mas nos surpreendemos!

Saímos de São Paulo ás 21h. Tivemos um pequeno atraso na saída porque estava chovendo tanto nesse dia que se mover de um lugar para outro em estava um pouco complicado. Sexta-feira, ainda por cima.

O tempo de viagem varia um pouco por causa das paradas, mas em geral é para ser de cinco horas pela rodovia Régis Bittencourt. Na sexta-feira, 12 de setembro, levamos sete horas. O horário de saída para o passeio estava marcado para 7h30, conseguimos sair às 8h, mas chegamos na Pousada Gamboa Eco Refúgio às quatro horas da matina!

Viagem só é emocionante assim, com altos percalços. Aí, tem que rir para não chorar. E foi tudo muito melhor do que imaginei.

No primeiro dia de trilha choveu leve e começamos nossa caminhada pela trilha ao lado do rio Betari. Passamos vários pedaços onde tínhamos que atravessar no meio da água gelada – isso ajudava para acordar, já que não havíamos dormido quase nada.

Grupo no Petar
Pausa para o click | Foto: Daniel Carnielli
Thales e Fê no Petar
Caminho alternativo | Foto: Daniel Carnielli

Nunca tinha entrado em uma caverna, foi um passeio com qualidade de informações excelente! Os dois guias, o Leo e o Jeovani, que nos acompanharam foram contando a história, curiosidades e mostrando caminhos algumas vezes inusitados. O nosso amigo Daniel contratou os guias pela agência Planeta Trilha.

Primeira parada: Caverna do Cafezal. Primeiro contato com morcegos, formações rochosas, marcas deixadas pelos primitivos e muiiita escuridão! Pior que nem dá para mostrar por fotos, porque a única luz que tínhamos eram do capacete e algumas lanternas, mas posso garantir que o passeio vale e pena. Experimentamos apagar todas as luzes e sentir o silêncio e a escuridão da caverna, é uma sensação de medo e paz ao mesmo tempo, e muitos não conseguiram lidar com o silêncio, não ficaram quietos para curtir a experiência. Por que será? Talvez estejamos viciados com tanto barulho à nossa volta na cidade grande…

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Seguimos para a Caverna Água Suja onde logo na entrada tinha tanta lama que foi até bom já entrar na caverna com a água pela cintura para limpar o tênis e sentir a sensação de passar embaixo de paredes com pontas afiadas e espaços apertados! Também produzimos faíscas de fogo batendo pedra com pedra e os corajosos entraram na cachoeira lá dentro da caverna. Se estivesse um pouquinho calor eu até tentava encarar a água gelada, mas como estava um dia chuvoso e eu sou super friolenta, não quis me molhar toda, apesar de já estar molhada da cintura para baixo.

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Para encerrar esse dia nada melhor que uma boa comidinha acompanhada de um vinho para esquentar o corpo, no único restaurante da cidade. Eles trocaram vários pratos e eu comi o que não pedi, mas tudo bem. A carta de vinhos de… três vinhos também não apetecia muito, mas não dá pra exigir guia Michelin num lugar desses, não é mesmo?

No dia seguinte o tempo estava fechado também, mas não choveu. Caverna de Santana onde o músico e compositor Hermeto Pascoal e grupo produziram a ‘Música da Caverna’ tirando sons das estalactites. Nunca ouvi a música do Hermeto Pascoal, mas meu marido músico me diz que é uma doideira só (ele faz música com absolutamente qualquer coisa que bote a mão, até fio de cabelo) e ao bater em algumas formações podemos também tirar um som e ter uma ideia da coisa toda. Aqui também tinha água, mas dessa vez não pisamos, passamos pelas pontes. Vimos muitas estalactites e formações lindas, em algumas quando batemos a luz elas brilham como brilhantes.

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Na Caverna do Morro Preto Hermeto Pascoal também gravou com uma orquestra ‘A Sinfonia do Alto Ribeira’. Nessa caverna não podemos ir muito a fundo por questões de segurança, mas a vista de dentro para fora quando estamos lá no alto é sensacional! Tem a imponência de uma catedral; a altura deve ter uns 30 ou 40 metros. Impressionante.

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Em seguida passamos pela Caverna do Couto, mas não entramos porque não ia dar tempo, tínhamos que encarar a estrada, mas o pessoal não perdoou e pelo menos entraram na Cachoeira do Couto.

Rafael e Daniel na Cachoeira do Couto
Rafael e Daniel na água gelada da cachoeira | Foto: Ricardo Sato

Cansativo mas belo passeio! Além do contato com a natureza, aprendemos muito sobre as formações das cavernas e pretendemos voltar no ano que vem, agora para fazer o núcleo Caboclos, que segundo consta, fica distante de tudo, pouca gente conhece e é o melhor dos núcleos. Não dá para perder!

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