Petrópolis

Week-end imperial em Petrópolis

Petrópolis, a Cidade Imperial. Será que um final de semana é suficiente?

Em dois dias e meio conseguimos visitar os principais pontos turísticos, então, em um final de semana você conhece as coisas principais. Para o resto teremos de voltar algumas outras vezes. O melhor mesmo é dispor de dois dias inteiros para conhecer a cidade.

Foi um final de semana chuvoso com um frio bem gostoso. Nada que nos impedisse de andar a pé pelo centro histórico. Aliás, esta é melhor maneira porque Petrópolis tem um trânsito cheio demais para o tamanho da cidade  e achar vagas boas requer um pouco de sorte.

Ficamos hospedados no Hotel Casablanca Koeler, na avenida Koeller, que termina na rua em frente à Catedral de São Pedro de Alcântara, onde está localizado o Mausoléu Imperial com as lápides em tamanho real de Dom Pedro II, Dona Teresa Cristina, Princesa Isabel e Conde d’Eu. Vale a pena reparar na construção em estilo gótico e nos belos vitrais no interior da catedral. Já visitei algumas igrejas no mesmo estilo e toda vez que entro novamente parece que estou entrando na mesma, com as devidas proporções, lógico. Estou ficando craque em igreja gótica. Estou ficando gótica?

Catedral de São Pedro de Alcântara

Catedral de São Pedro de Alcântara

Para quem está estudando a história do Brasil na escola e for visitar esses lugares o aprendizado fica muito mais interessante. Afinal, nada melhor do que estar nos lugares e poder ler sobre ele, aprender sobre quem morou lá, passou por ali… Ouro Preto e as cidades históricas de Minas me passaram a mesma sensação.

Caminhamos até o Museu Imperial passando por muitas construções históricas. Todas identificadas com uma placa na frente contando de quem foi aquela casa e o ano. A grande maioria é de propriedades particulares, mas só de poder apreciar a grandiosidade que era viver naquela época torna o passeio muito mais atrativo. É um tal de visconde pra cá, barão prá lá… Nos sentíamos no tempo do Rei! Passando de carro dá para ver a casa, mas poder ler, parar para apreciar e tirar fotos dos detalhes, isso somente a pé é que dá para fazer.

Petrópolis

Dentro do museu, como sempre, não pudemos tirar uma foto sequer, mas gostei de ver que todos os cômodos da casa estão abertos para visitação. Antes de entrarmos tivemos de vestir as famosas pantufas para não danificar o imperial-chão. Interessante que o passeio todo foi feito arrastando o pé, o que nos levou a pensar na economia do governo na compra de produtos para lustrar o chão. Proposital? Podemos andar por tudo e ver coisas e saber dos costumes e peculiaridades da família imperial durante os meses de verão. E do jardim a chuva não nos impediu de tirar belas fotos.

Museu Imperial

Museu Imperial

E vale a pena uma pausa no Café Duetto’s localizado quase na saída no museu. O lugar é uma graça e serve comidinhas deliciosas. Ficamos bastante tempo dentro do palácio e aproveitamos a parada para descansar e decidir nosso roteiro da tarde. Comemos uma saladinha deliciosa e uma quiche bem apetitosa, regados por cervejas artesanais.

Café Duetto's

Estávamos curiosos para ver a “Encantada”, a Casa de Santos Dumont. Uma casa pequena e prática (embora pequena e prática demais até para mim, que gosto de coisas pequenas e práticas). Santos Dumont provavelmente não gostava de cozinhar, pois a casa não tinha cozinha. Suas refeições vinham do Palace Hotel, em frente, que hoje é uma universidade. Gostei dessa ideia e iria fazer o mesmo, porque não sou muito fã de cozinhar e a ideia de comer em baixelas e talheres de prata me apetece bastante! E queria poder subir no pequeno observatório que ele fez em cima da casa para admirar as estrelas, mas não era possível. A vista dali deve ser ótima!

Casa de Santos Dumont

Bem perto da Casa de Santos Dumont fica o Museu de Cera. Não é ohhhhh, mas é bacaninha. O personagem que tinha mais perfeição de detalhes e que parecia realmente verdadeiro era do Ayrton Senna e do cineasta Alfred Hitchcock. Um tanto caro para entrar, mas interessante.

Ayrton Senna do Museu de Cera

Alfred Hitchcock do Museu de Cera

Nesse momento chovia a cântaros e lá fomos nós, embaixo do guarda-chuva, dar uma passada pela Praça 14 Bis para ver a réplica do invento mais famoso de Santos Dumont: qual será? Pracinha meio mequetrefe, onde ficam estacionados os ônibus que trazem as hordas que visitam a cidade aos finais de semana.

Praça 14 Bis

Caminhamos até o Palácio de Cristal ainda com a luz do dia para apreciar o presente que o Conde d”Eu encomendou para a Princesa Isabel. Nada a fazer dentro do Palácio, que tem uma programação musical que não contemplava aquele dia e momento; portanto ficamos lá fazendo hora, olhando as belas janelas de vidro e os bonitos lustres até o cair a noite para curtir as luzes da praça. Na semana seguinte iria haver uma festa alemã com comes e bebes típicos, pena que não estaríamos lá.

Palácio de Cristal

Palácio de Cristal

No dia seguinte começamos pelo Palácio do Rio Negro que fica na mesma avenida do nosso hotel. Residência oficial de verão dos nossos presidentes da República. Bem bonito por fora e por dentro, embora dê para ver um descascado na parede aqui e ali… Nada que comprometa, é verdade. Há quadros dos presidentes que se hospedaram lá e a presença da caneta com a qual o último presidente (Lula) assinou o registro de presença. O porquê de esta caneta estar lá não nos foi revelado (nem a razão de não ter mais nenhuma caneta de outros presidentes). Vai ver eles estão esperando o homem virar santo, vai saber. Enfim, no segundo andar há vários sofás bem convidativos (para olhar) dentro de quartos com vista para a avenida, com aquela chuvinha… Deu vontade de dar uma relaxada ali! Há também o quarto onde o presidente JK se hospedou, com os pisos e mobília da época, muito interessante.

Palácio do Rio Negro

Palácio do Rio Negro

Palácio do Rio Negro

Palácio do Rio Negro
Quarto do JK

Num espaço reservado no Palácio do Rio Negro fica o Museu da FEB (Força Expedicionária Brasileira) contando sobre a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Coisa um tanto amadora, mas vale o esforço dos veteranos de se fazerem lembrados. O problema é que colocaram no pequeno espaço um número muito grande de tralhas bélicas e afins e fica-se um pouco perdido e/ou entediado. Acho que a peça do museu mais interessante foi um pedaço de papel higiênico que trouxeram da Itália. Limpo.

Seguimos para o símbolo da ostentação dos anos 40, o Palácio Quitandinha que foi construído para ser o maior hotel-cassino da América Latina. E é de cair do queixo! É possível visitar todos os espaços que o Sesc administra, exceto os apartamentos que eram os quartos do hotel, pois foram comprados por moradores e hoje essa parte é um condomínio.

Palácio Quitandinha

Me senti num palácio da Europa, tudo grandioso e chique. Imagino aquele lugar funcionando, devia ser um espetáculo! Pode-se fazer o passeio avulso, com o audioguia ou com o simpático e atencioso guia que foi nos explicando tudo sobre o cassino e sobre a época.

Palácio Quitandinha

Palácio Quitandinha

Palácio Quitandinha

Palácio Quitandinha

Boquiabertos e de garganta seca, seguimos para a Cervejaria Bohemia. Ficamos impressionados com a estrutura preparada para receber os turistas e contar no tour totalmente interativo – com painéis touch-screen, som, luzes, vídeos e duas degustações – a história da cerveja e da cervejaria. Como só se falava de cerveja e as degustações seriam lá na frente, a sede só fazia aumentar. Ainda mais que em um momento houve a degustação dos cereais que vão na cerveja, como cevada, trigo e aveia. Foi o momento snack do passeio, só faltou com o quê empurrar goela abaixo, o que não demorou.

Cervejaria Bohemia

Cervejaria Bohemia

Thales na Cervejaria Bohemia

Cervejaria Bohemia

Fernanda na Cervejaria Bohemia

Cervejaria Bohemia

Thales e Fernanda na Cervejaria Bohemia

Terminamos no Estúdio Bohemia brincando com jogos eletrônicos, criando postais e tirando muitas fotos. Terminou? Não!!! Subimos para o Restaurante Bohemia para degustar mais cerveja harmonizando com os pratos.

Cervejaria Bohemia

Fernanda na Cervejaria Bohemia

Depois disso tudo fomos descansar para encarar, no dia seguinte, seis horas de estrada de volta para casa.

Antes de irmos embora, após o café da manhã andamos de cabo a rabo a Rua Teresa com mais de mil lojas de roupas e mais roupas. A grande maioria estava fechada porque era domingo, mas me lembrou muito o Bom Retiro e o Brás em São Paulo, onde encontramos roupas baratas, mas nem sempre com qualidade. Comprei blusinhas que encolheram e calcinhas que vieram em tamanhos variados, errados no pacote. Acho que eu não soube escolher os lugares certos!

Rua Teresa

Almoçamos no centro em um restaurante tradicional e queimamos o chão para casa. Iremos voltar com certeza, mesmo porque há também na região um circuito cervejístico a cumprir!

Petrópolis é uma cidade bem charmosa e vale a pena a visita! Tranquila e aconchegante, não é à toa que o dom Peter The Second gostava de lá, irritado que ficava com o calor da praia. Imaginem aquele monte de roupa no verãozão carioca, eu hein! Subia a serra e fica só de boa em sua humilde residência, rodeado pelos familiares. Aliás, falando em seus familiares, a princesa Isabel, ao contrário dos quadros que a pintavam, era bem feinha…

Princesa Isabel

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